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Anorexia nervosa: Reflexões e comentários

Reflexões e comentários

Muito se tem falado sobre a anorexia nervosa ao longo dos últimos dias. Os noticiários têm constantemente divulgado a morte de meninas, vítimas da doença.

Esse me parece um movimento interessante no sentido de despertar a consciência das pessoas para o problema. Entretanto, os transtornos alimentares já existem há muito tempo e afetam uma parte significativa da população mundial. A anorexia tem maior incidência em adolescentes do sexo feminino, entre 14 e 18 anos.

Não podemos pensar em uma causa única para seu aparecimento. Um conjunto de fatores - biológicos, hereditários, sociais e psicológicos - está na base dessa e de outras manifestações de transtornos alimentares.

Sem dúvida, a excessiva valorização da estética e o ideal de beleza feminino, associado à magreza e à juventude, têm grande responsabilidade no alto número de ocorrências dessa patologia.

Para tornar a coisa ainda mais complicada, a imagem de poder e sucesso também está fortemente relacionada à imagem da mulher magra, malhada e “em dia” com cuidados de ordem estética.

Assim, aumentam em proporção geométrica as ofertas de tratamentos estéticos, academias de ginástica, novas técnicas de cirurgia plástica e dietas que prometem verdadeiros milagres!

É certo que a vaidade não deve ser deixada de lado, tampouco ser vista como um valor pouco importante. O problema está quando essa se torna a única fonte de preocupação e interesse na vida de uma pessoa e, especialmente, quando se faz qualquer coisa para que seja atingido um ideal de beleza, geralmente completamente fora dos padrões da grande maioria da população.

Mas então, o que é a beleza, de fato? Será que o belo tem apenas um padrão estético? Existe apenas um tipo de mulher que agrada a todos?

Não creio... Acredito que a beleza seja algo subjetivo, que integra a aparência externa com outros atributos internos.

Sendo assim, me parece que quanto mais distante de sua natureza está uma pessoa, mais longe vai ficando da beleza resultante da harmonia entre traços internos e externos. E essa, independe de padrões estéticos pré-estabelecidos.

Quem já não se deparou com meninas com corpos esculturais e que se acham gordas ou feias? Que só pensam em se tornar mulheres esteticamente perfeitas e, com isso, evitam olhar para o que as faz verdadeiramente insatisfeitas?

 Sim, porque o excesso de preocupação com a beleza e a estética, pode estar a serviço de esconder profundas dificuldades de fazer confrontos com a realidade, ou com sentimentos de frustração, medo, angústias e inseguranças.

Acredito que esse olhar superficial para si mesma e a valorização da imagem, especialmente com foco na imagem estética, já podem ser um sinal de alerta. Não que isso vá evoluir, necessariamente, para um quadro de anorexia. Contudo, a supervalorização dos atributos externos pode ser indicativo de baixa auto-estima e auto-aceitação e, sobretudo, da falta de consciência de qualidades e potenciais - traços importantes em pessoas portadoras de depressões e transtornos alimentares.

Encontramos um exemplo disso em mulheres que só se preocupam em passar a vida esculpindo seus rostos e corpos, com a proposta de eternizar a juventude, imaginando que, com isso estão se tornando cada vez mais belas; para isso, retiram costelas, distribuem próteses de silicone por todo o corpo e rosto, tiram qualquer ruga ou marca na pele. Ou aquelas que malham horas a fio nas academias ou, ainda, as que começam a passar fome para não engordar.

É aí que está o perigo! Essas mulheres não param para se perguntar qual é a causa de suas insatisfações. Não questionam se essas atitudes as fazem felizes ou se servem para tampar buracos cada vez mais profundos, sofridos e desconhecidos em suas vidas.

Assim, acabam por adoecer... Algumas até morrem de fome...!

Essas são as anoréxicas. E é bom que se esclareça que as vítimas de anorexia, não perdem o apetite. No início da doença, passam muita fome e sofrem muito para deixar de comer. Gradativamente vão se acostumando com essa condição e deteriorando seu organismo, até desenvolverem um quadro grave de desnutrição ou morrerem de inanição.

O mais grave é que muitas dessas mulheres que passam a desenvolver quadros de anorexia, sequer se dão conta disso. Aliás, a inconsciência da magreza e a auto-imagem distorcida são sintomas recorrentes em quase todos os casos, o que dificulta enormemente a aceitação da necessidade de um tratamento. E mais: a grande maioria das anoréxicas, não acredita ser portadora de uma doença. Acredita que essa é uma opção de vida, um estilo de vida e que todos que são favoráveis ao tratamento estão contra ela, ou não conseguem compreender sua “opção” de emagrecer.

Mas, essa é uma doença que pode, e deve ser tratada! Psicólogos, médicos e nutricionistas podem ser de grande ajuda, não apenas para a pessoa portadora de anorexia, mas para os pais e familiares, já que a participação da família é essencial para o sucesso do tratamento.