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Ansiedade: um "mal" da atualidade

Podemos dizer que a ansiedade é um sentimento muito próximo do medo. O que os diferencia é que no medo, existe uma situação real, concreta, que o desencadeia e a ansiedade é desencadeada por uma situação subjetiva, uma interpretação de uma situação de perigo.

Todos carregam dentro de si uma dose de ansiedade, até porque ela é um instrumento importante para que possamos ficar alertas e encontrar soluções em situações de perigo iminente.

O problema se dá quando a ansiedade torna-se patológica, isto é, quando passa a ser uma lente de aumento, distorcendo a proporção da realidade e incapacitando o indivíduo para a vida, o que infelizmente, tem se tornado cada dia mais comum.

Mas, qual seria a explicação para o alto índice de casos de ansiedade atualmente?

Vivemos em uma sociedade que por si só já desencadeia um alto grau de stress. A maior parte das pessoas já acorda preocupada com horários, dificuldades financeiras, com o trânsito, com o desemprego, em manter um bom desempenho profissional, pessoal, familiar, uma boa forma física, com a violência, etc, etc, etc...

O que ocorre é que todas essas preocupações podem agravar um estado de ansiedade, fazendo com que se torne cada vez mais difícil e, em alguns casos, impossível, o enfrentamento destas ou tantas outras situações.

São muitas as manifestações dos transtornos de ansiedade – Síndrome do Pânico, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Fobias, Stress Pós-traumático. Todos são formas agudas de ansiedade, mas com sintomas específicos e, somente um profissional, pode fazer um diagnóstico preciso.

Existem algumas situações em que é esperada uma certa dose de apreensão e ansiedade. Por exemplo: prestar vestibular, novos relacionamentos, casamento, doenças, divórcio, viagens, emprego novo, momentos de mudança em geral.

Mas, é preciso ficar atento! Quando a ansiedade persiste e incapacita a liberdade do indivíduo, certamente é hora de procurar ajuda.

Há uma tendência a achar natural que uma pessoa seja ansiosa. Não é raro ouvirmos de alguém - “Sou tão ansioso!” - como se isto fizesse, naturalmente, parte de sua personalidade. Em muitos casos, a ansiedade aumenta, persiste e o indivíduo fica tentando controlar-se, sem perceber que vai piorando dia a dia. Se tiver alguns dias de alívio, acha que está tudo bem, até que novamente é acometido por uma crise, com sintomas como angústia, “bolo na garganta”, dor no peito, taquicardia, impaciência, irritabilidade, intolerância, etc.

Do ponto de vista psicológico, baixa auto-estima e falta de autoconfiança são dificuldades que costumam estar relacionadas a indivíduos com personalidade ansiosa. A pessoa não consegue reconhecer em si os recursos internos que possibilitariam o enfrentamento de determinadas situações.

atores genéticos também estão presentes nos transtornos de ansiedade. Indivíduos que têm histórico familiar de casos de ansiedade parecem ter mais probabilidade de desenvolver este quadro.

Outro fator importante é a vivência de situações traumáticas. Pessoas que viveram experiências deste tipo podem vir a apresentar sintomas de ansiedade, que acabam por dificultar profundamente suas vidas, causando grande sofrimento.

Seja qual for a causa e, em geral, é uma combinação de fatores, um acompanhamento psicoterapêutico e, quando necessário, o uso de medicamentos (que deve ser feito mediante a avaliação e acompanhamento de um psiquiatra) pode ser de grande ajuda.

Através do trabalho psicoterapêutico o indivíduo passa a entender melhor o que dispara a sua ansiedade, aprende a lidar com ela, a reconhecer uma crise quando ela está chegando e, acima de tudo, descobre que existe uma saída para uma situação tão difícil como é a de quem sofre com esses sintomas.

Quando uma pessoa começa a se conhecer, entra em contato com seu universo interno. Assim, acaba por descobrir em si, a força e a capacidade de enfrentamento, necessárias para a vida. Essa consciência a respeito de si mesma e do universo que a cerca, pode ajuda-la a abrir mão da necessidade de controlar o mundo que a ameaça.

A grande conquista no momento em que reconhecemos nossas fragilidades, nossos potenciais e recursos internos é que podemos contar com a certeza de que, independentemente da situação que se apresente, buscaremos dentro de nós as respostas para a melhor forma de lidar com os problemas e as dificuldades que fazem parte de nossas vidas!